Futebol

Ele vai trabalhar no 18º Mundial consecutivo! Bela ação para o jornalista argentino – Garrafa Sánchez

Da redação: no blog Garrafa Sanchez, amam o futebol argentino, e agora há uma história emocionante sobre o jornalista recordista da Copa do Mundo. Leiam o texto e apoiem o autor com curtidas – assim, haverá mais histórias sobre a América do Sul!

Enrique Macaya Márquez é uma lenda viva do jornalismo esportivo argentino. Ele trabalhou em diferentes funções em todas as Copas do Mundo de Futebol, começando com a Suécia-1958.

17 torneios consecutivos!

Quatro anos atrás, no Catar, a FIFA, junto com a Associação Internacional de Imprensa Esportiva (AIPS), premiou jornalistas que cobriram pelo menos oito Mundiais. Foram 80 pessoas, mas o argentino se tornou o recordista absoluto – deixando para trás o alemão Hartmut Scherzer, com 16 torneios.

Em novembro, Macaya celebrou seu 91º aniversário e, anteriormente, admitiu que corria o risco de perder a Copa do Mundo de 2026. Embora continue trabalhando no canal pago DSports (principalmente no rádio), a viagem para os EUA permanecia em dúvida.

Então, o popular agregador de táxis espanhol Cabify, presente na Argentina e no Uruguai, veio em seu auxílio. Eles criaram uma campanha de marketing em torno da história do jornalista, assumindo os custos de viagem e acomodação. No início, foi gravado um divertido comercial que brincava com a situação.

No roteiro, Macaya tenta, sem sucesso, chegar aos EUA. Todas as passagens aéreas já foram compradas por torcedores argentinos, a Associação de Futebol da Argentina (AFA) não vê necessidade de incluí-lo na delegação da seleção, e as tentativas de ganhar uma viagem em vários programas e concursos também não tiveram sucesso.

“Estive em 17 Copas do Mundo, não posso perder esta”. Ele até consulta uma vidente, mas as cartas são implacáveis. Até que encontra um banner com o anúncio da Cabify.

– “Para onde vamos? O aplicativo mostra 14 dias de viagem”

– “Para Kansas City”

– “Kansas City? Sem problemas”

Isso é apenas o começo – os argentinos são convidados a acompanhar suas próximas aventuras nas redes sociais da campanha.

“Decidimos contar sobre o futebol mundial de uma maneira um pouco diferente, mas não menos comovente. Todos nós queremos ir para a Copa do Mundo, mas ninguém merece mais do que Macaya”, disse Florencia Sassone, diretora criativa da Cabify Argentina e Uruguai.

Macaya foi para sua primeira Copa do Mundo por um milagre. O gol de Maradona é chamado de “Mão de Deus”

A viagem para a Suécia para a Copa do Mundo de 1958 foi uma verdadeira aventura. Naquela época, os voos intercontinentais ainda não eram comuns, e foi necessário viajar para a Europa em um liner americano Douglas DC-7, não projetado para tais distâncias.

“Fizemos inúmeras paradas para reabastecer. Só no avião eu descobri que estávamos indo para Frankfurt, e não para Hamburgo, onde estávamos esperando. Tivemos que aprender frases em alemão durante o voo para comprar uma passagem de trem.

Depois, fomos de ônibus para o norte da Alemanha, pegamos um ferry para a Dinamarca e de lá, outro ferry para Malmö. Foi um milagre eu ter chegado lá”, contou ele em entrevista ao site oficial da FIFA.

O torneio na Suécia acabou sendo a maior decepção da vida de Macaya. Na frente do então jornalista de rádio de 23 anos, a seleção argentina sofreu seis gols da Tchecoslováquia na partida decisiva da fase de grupos.

Os argentinos, que boicotaram as três Copas do Mundo anteriores, estavam confiantes em sua superioridade – a equipe de Guillermo Stábile, com um estilo ofensivo e eficaz, vencia um Campeonato Sul-Americano após o outro.

“Achávamos que éramos os melhores do mundo, inclusive no futebol. E de repente, uma tal de Tchecoslováquia nos faz seis gols? Não conseguia acreditar, nem sabíamos onde ficava esse país. Foi um tapa no nosso estilo de vida e na nossa autoestima nacional. Voltei a fumar três anos depois de ter parado.”

A lição foi aprendida. Desde então, Macaya se concentrou em observar e analisar o jogo, indo às Copas do Mundo principalmente como jornalista, e não como torcedor (“deixo as emoções para os assuntos de família”). Até mesmo as vitórias da Argentina ele recebia com moderação – quando, no México-86, seus colegas sul-americanos começaram a se abraçar, ele exclamou: “Mas eu não joguei!”

Como se confirmando suas palavras, ele escolhe a Holanda de 1974 como a melhor equipe da história pelo seu futebol total e critica Maradona pelo gol de mão contra os ingleses:

“É um truque sujo e eu não gosto, violar as regras é inaceitável e injusto. Não é a mão de Deus, é a mão do Diabo!”

Foi amigo de Di Stéfano e foi de vendedor de jornais a apresentador de programas de TV lendários

Macaya trabalha quase a vida toda desde que, aos 8 anos, começou a vender jornais. A cinquenta metros de sua casa vivia a futura estrela do futebol mundial, Alfredo Di Stéfano, frequentador assíduo da banca de jornais: “Ele vinha todos os dias, pedia jornais e revistas, lia e quase nunca comprava”, relembra rindo.

Para ele, Di Stéfano é o melhor da história, embora nunca tenha jogado uma Copa do Mundo. Em grande parte devido a um background nada típico, que geralmente cultiva as lendas argentinas.

“Eu visitava Alfredo com frequência. Ele era de uma família abastada, não precisava trabalhar desde cedo ou passar o tempo todo no campo de futebol, o que não o impediu de se tornar não apenas um jogador de futebol cult, mas também de possuir verdadeiras qualidades de liderança.

Aos 15 anos, seu pai, Enrique, que trabalhava no jornal El Mundo, conseguiu um emprego para o filho na rádio homônima. Mas foi mais tarde, na televisão, que uma das vozes do futebol argentino conquistou fama nacional, formando por décadas a dupla lendária com Marcelo Araujo, que faleceu em março deste ano.

“Shut up, Macaya, que se viene el gol de River” (“Cala a boca, Macaya! Agora vai ter gol do River”), o meme histórico do futebol argentino da final da Libertadores de 1996, é o primeiro que vem à mente quando se mencionam seus nomes.

Era uma dupla de comentaristas clássica para a Argentina: relator (o narrador principal, que faz a transmissão) e comentarista (que complementa e analisa). Macaya não entendia como as pessoas podiam gostar de uma simples narração do que acontecia em campo: “Para que dizer para a direita ou para a esquerda? Vocês mesmos estão vendo!” No entanto, ele reconhecia que Araujo fazia a sua parte magnificamente, e foi nessa contradição que se formou a lendária dupla.

Juntos, eles apresentaram por muitos anos o principal programa de futebol na TV local – “Fútbol de primera”. O programa foi ao ar de 1985 a 2009, até que o governo argentino, liderado por Cristina Kirchner, comprou os direitos de transmissão para o projeto populista “Fútbol para todos” (Futebol para todos) e passou a transmitir todas as partidas gratuitamente.

Por muito tempo, os torcedores só podiam ver os gols de seus times favoritos nas noites de domingo, acompanhados por Araujo e Macaya. Graças a eles, os telespectadores argentinos tiveram a oportunidade de analisar em detalhes os lances polêmicos com o uso de tecnologias computadorizadas muito antes do VAR.

Apesar da idade, Enrique Macaya Márquez não apenas continua sua ativa carreira jornalística, mas também mantém a clareza mental, esforçando-se para acompanhar os tempos. Por exemplo, ele apoia a introdução de replays em vídeo e outras novas tecnologias no futebol e dedica muito tempo ao seu estudo.

“Como eu consigo? Tudo se resume à paixão – eu amo muito o futebol. Até hoje, continuo aprendendo algo novo e leio bastante”.

Lara Magalhães

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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14 Comentários

  1. Na Argentina, você pode se dar mal por causa do aperto de mão do diabo)). E também é interessante saber por quem ele torcia em 78?

  2. Há 68 anos, ele estava no Campeonato Mundial, incrível. E depois não perdeu nenhum. Jules Rimet, que nasceu há mais de 1,5 séculos, tinha acabado de partir. Ele é quem poderia compilar uma classificação autoritativa dos melhores torneios)

  3. “Enrique Macaya Márquez não apenas continua sua atividade jornalística ativa, mas também mantém a clareza mental”

  4. E apenas um táxi espanhol conseguiu ajudar a lenda a chegar aos EUA? Que bagunça está acontecendo no país de Milei?

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