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Egito constrói uma nova capital. Por quê? E o Cairo? – Muito Velho para Morrer Jovem

A maior construção da África.

Há dez anos, o Egito está construindo uma nova cidade a 45–60 km a leste do Cairo. A gigantesca obra está sendo realizada no meio do deserto, e o nome do projeto corresponde à sua grandiosidade – Nova Capital. Sim, por enquanto é assim, de forma direta, mas já está sendo discutida uma versão mais concisa com referência à cultura egípcia.

Por que o Egito precisa de uma nova capital e qual será o status do Cairo agora.

O Egito está construindo uma “cidade de burocratas” – porque o velho Cairo está superpopuloso e obsoleto

O novo centro administrativo do Egito abrigará o governo, o parlamento, ministérios e bancos. Mas não se limitará a ser um centro burocrático e de negócios: a cidade deve acomodar cerca de 6,5 milhões de habitantes, criar até 2 milhões de empregos e se tornar um novo polo turístico, com arranha-céus e luxo moderno, semelhante a Dubai.

E o que há de errado com o Cairo? Lá vivem mais de 10 milhões de pessoas, e claramente falta espaço para todos. A cidade sofre com engarrafamentos, os edifícios administrativos ocupam muita área, e reconstruir a maior parte dos bairros antigos é caro e sem sentido. Por isso, o velho Cairo também se beneficia com a criação da Nova Capital – a cidade ficará menos sobrecarregada.

Na Nova Capital, o trabalho já começou, e o presidente tomou posse

A área total da futura cidade é de cerca de 700–715 km². Isso é comparável a Singapura e muito maior do que muitas capitais mundiais.

A cidade está sendo construída gradualmente, por distritos. O distrito governamental, que já está praticamente pronto, ocupa 168 km². Nele estão localizados o bairro governamental, o parlamento e a infraestrutura presidencial. Desde 2024, 48 mil funcionários públicos já trabalham no distrito governamental.

A transição simbólica de poder foi consolidada em 2 de abril de 2024, quando o presidente Abdel Fattah el-Sisi tomou posse para um novo mandato na Nova Capital.

Vitrine do projeto: arranha-céus, monotrilho e estádio para 93 mil espectadores

A parte mais notável da cidade é o distrito comercial com arranha-céus, construído por uma empresa chinesa. No centro, ergue-se a Iconic Tower – o arranha-céu mais alto da África, com 394 metros e 77 andares (um pouco mais baixo que o Empire State Building e o Lakhta Center). Ao seu redor, há dezenas de edifícios altos: escritórios, hotéis, torres residenciais e espaços comerciais.

Próximos ao local, encontram-se também gigantescos complexos religiosos: a Mesquita Misr, a maior da África e a terceira do mundo, e a Catedral do Nascimento de Cristo, a maior do Oriente Médio, com capacidade para mais de 8 mil pessoas.

O transporte é outro ponto de destaque. Em 2026, foi inaugurado o principal atrativo da Nova Capital – o monotrilho “Leste do Nilo”, o maior sistema de monotrilho sem condutor do mundo. O monotrilho autônomo passa sobre as estradas, conectando os novos bairros ao centro comercial e governamental; deve se integrar a um grande esquema de transporte, junto com o metrô. No entanto, o projeto tem sido criticado por seu alto custo – os bilhetes estão disponíveis apenas para funcionários que se deslocam para seu distrito.

Além disso, o estádio “Misr” está pronto. Com capacidade para 93 mil pessoas, já recebe partidas da seleção egípcia. Foi construído como parte de uma candidatura para um grande torneio – Olimpíadas ou Copa do Mundo de Futebol.

Por que o projeto é criticado

O tema mais doloroso é o custo. A mídia frequentemente estima o projeto em 58 bilhões de dólares. As autoridades enfatizam que o orçamento estatal não é afetado, mas isso não é totalmente verdade. A construção é liderada pela ACUD – uma empresa que pertence 51% a estruturas militares e 49% ao ministério da habitação. O modelo de lucro é o seguinte: o estado investe em terra e infraestrutura, vende terrenos para incorporadoras e encontra investidores.

Mas para a economia, ainda assim é um risco. Como escrevem os críticos do projeto, o Egito tem vivido nos últimos anos sob forte pressão financeira: inflação, dívida externa, empréstimos caros, dependência de ajuda e investimentos de outros países. Em tal situação, megaprojetos como a nova capital são muito caros e desviam recursos de obrigações sociais ou da reestruturação de cidades antigas em versões mais modernas.

Além disso, todos criticam a Nova Capital por sua vazio – em 2024, apenas um em cada cem apartamentos estava ocupado. Até 2026, a situação melhorou, mas jornalistas descrevem a cidade como semiabandonada: a vida se concentra no distrito governamental, e muitos bairros residenciais parecem cenográficos.

Então, agora a capital do Egito é a Nova Capital?

Não. De acordo com a constituição, o Cairo permanece como a capital do Egito. No momento, os principais aspectos legais ainda estão em discussão: como nomear a cidade (a opção principal é Memphis) e qual será o seu status (sugere-se “província especial”).

Iara Sousa

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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