Cabo Verde não é loucura – Cinco cantos

É um bom futebol.
Não, loucura aqui, claro, não falta. Mas sabe, não quero que Cabo Verde seja lembrado apenas como um fenômeno passageiro. Como uma seleção que, com um goleiro de 40 anos virado meme, proporcionou algumas surpresas para nos divertir.
Cabo Verde não é uma equipe de palhaços. Nesta Copa do Mundo, eles jogaram futebol com muita solidez.
Houve sorte? Sem dúvida. Mas houve muito mais profissionalismo.

Cabo Verde é harmonia. Em alguns momentos, a defesa lembrava uma murmuração – fenômeno de voo coordenado de pássaros, formando figuras volumosas no céu. Estrutura sólida, flexibilidade, habilidade para alternar modos e velocidades. Claro, a Argentina criava oportunidades, mas quando se enfrenta Leo Messi e seus companheiros, até os adversários mais refinados podem vacilar.
Cabo Verde é coragem e leveza na hora certa. Disposição para avançar quando se sofre um gol dos campeões mundiais. Não apenas chutando para um atacante isolado, mas atacando de forma posicionada e evitando brechas na defesa. Sair da área de Vouzinha com poucos toques aéreos – e já se está no campo adversário. Pressão feroz e entusiasmada: vontade de marcar, desorientar, cegar.
Cabo Verde é sangue-frio.
Sofreu um gol? Tudo bem, agora vamos pressionar. Sabemos como fazer.
Empatou? Seguir o plano original.
Sofreu o segundo? Não desanimar, ainda há tempo.

Cabo Verde é um simbiose de preparo tático e resistência mental. Inabalabilidade como lema, como ideia nacional em campo.
Nenhuma derrota no grupo. Empates com Espanha e Uruguai. E esse jogão contra a Argentina.
Não, não é coincidência. Obrigado, Cabo Verde, por emoções inesquecíveis.
E, principalmente: por um bom futebol.



