Futebol

A solidão de Cristiano Ronaldo – expectativas, legado e tempo na Copa do Mundo de 2026

Uma figura solitária no centro. Com os braços levantados – à espera de um passe que não vem. Com expectativas de si mesmo, construídas ao longo dos anos – como seu corpo ideal.

20 anos sendo tão bom quanto o melhor da história. E um quarto desse tempo parecendo até mais forte que o melhor. Ninguém poderia fazer isso. Exceto você – a pessoa que transformou uma vida pequena em parte da preparação para um grande jogo.

Uma figura solitária, ombros largos, mas com uma espécie de insegurança – quando é preciso fazer o que você sabia fazer melhor. Encontrar o ponto perfeito na área – pegar o momento ideal. Ou as pernas não acompanham, ou o pensamento. Você sorri, mas nervosamente.

Corridas curtas – tipo em pressão. Tipo. Você não entende muito bem – para quê. Seu futebol há muito se reduziu a um único toque na área. Antes, era grandioso, agora – apenas mais um. Tudo o que está além disso tira tempo, chances, forças para mais um chute.

Você não tem tempo.

Você não é ele. Ele marca com facilidade e naturalidade, como se fosse apenas um jogo e diversão. Como se não pudesse ser de outra forma. Ele sempre foi assim, você não. Agora não. Você deu tudo o que sabia e conquistou, por um único toque que não consegue encontrar.

Mas você diz que ainda não é o fim. Convence a si mesmo.

E na lateral, o treinador, que falta caráter. Com que palavras ele pode te dar apoio para recuperar a confiança? Nenhuma. E você não lhe dá a chance de provar que não é apenas um ex-treinador do Wigan.

Ele poderia ter te substituído hoje no 0:0 – no minuto 75. Você ficaria irritado. Talvez até perdesse a cabeça. Mas teria certeza de que não estava sozinho – contra a idade, os defensores, contra a sensação de que não há mais tempo. Nem mesmo para um toque.

Ao lado, um time incrível, que poderia te cobrir. Ao lado, uma geração forte. Você daria a eles a chance de mostrar do que são capazes sem você. Que precisam estar prontos – sem você. Você mostraria: não estou aqui pelos gols, mas por nós. Esta não é a minha última dança, é o nosso torneio. Eles retribuiriam em dobro.

Você respiraria fundo. Se preservaria para mais um toque. Não ficaria parado após um empate comum na primeira rodada com olhos vazios, como uma estátua. E não correria para o vestiário, esquecendo sinceramente de aplaudir as pessoas na arquibancada.

Você não gastaria energia lutando contra o mundo inteiro, gritando sem motivo para suas lentes vazias: “Eu voltei”.

Você não se sentiria como um herói de reality show. Quando mal toca na bola, mas aparece na câmera e é vaiado pelos torcedores adversários mais do que todos ao redor. Todos estão olhando. Esperando. Você também espera.

Você é guiado por expectativas que construiu ao longo dos anos, como seu corpo ideal. Um dia, sabia driblar em zigue-zague, agora só vai para cima. O número de repetições é Deus. O número de repetições deixou o melhor da história ainda mais uniforme. Por isso, apenas 90 minutos, quase sempre 90 minutos – mesmo que com gosto de areia.

E em campo, garotos para quem você é um ídolo. Mas você está por conta própria, os garotos estão por conta deles. Eles disputam uma pequena partida, vivem uma grande vida. Eles têm tempo apenas para jogar. Você não quer mais jogar futebol há muito tempo. Você busca o último toque, cria um legado.

E em campo, garotos para quem você é um ídolo. Um pôster que ganhou vida. Mas ninguém que possa entender como Pepe, Nani, Quaresma entenderiam. Com quem você passou pelos momentos sombrios e luminosos. A quem você poderia dizer o que sente. Que você precisa respirar, que está cansado, que sente o peso do tempo. Que você não é um monumento na área penal.

Alguém que, às vezes, pudesse pegar a palavra no vestiário por você. Alguém que pudesse ser um apoio para um treinador sem caráter.

Mas não há ninguém por perto.

Apenas o legado ao qual você se agarra com as últimas forças. Apenas o tempo que parece não existir. Um único toque que não consegue encontrar.

Apenas uma figura solitária no centro. Com os braços levantados, esperando o passe.

Iara Sousa

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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17 Comentários

  1. Não vale a pena se colocar acima dos outros, isso é o principal que se deve saber e lembrar sobre a carreira de Cristiano Ronaldo.

  2. Isso não é um texto que dá vontade de continuar lendo — é mastigação. Não mastigação — exagero. Não exagero. Úlcera.

  3. Este não é o texto de alguém que você quer continuar lendo — é chiclete. Não chiclete — é exagero. Não exagero. É uma úlcera.

  4. Ronaldo é como Brakus em ‘Os Melhores dos Melhores 2’, vencia os fracos, mas assim que o pequeno Tommy Lee apareceu contra ele, ele se desmanchou :))

  5. Não li essa loucura. Mas grandeza é quando o jovem Yamal não tentou driblar ou humilhar, mas simplesmente passou a bola entre dois.

  6. O engraçado é que não diriam: é difícil agradecer a alguém cuja existência você nem suspeita. Por outro lado, agora podemos agradecer ao autor todos os dias por mais um dia sem textos assim…

  7. Se partirmos da ideia de que existe karma, então ele mereceu isso. Durante toda a sua carreira, ele se colocou acima da equipe e dos companheiros. Ele se elevou acima dos outros jogadores. Ele diminuiu outros recordes e o trabalho dos outros. Por exemplo, na final da Liga dos Campeões de 2018, quando ele não marcou e disse aos jornalistas que estava saindo, só para roubar toda a atenção para si. Depois, Sergio Ramos o repreendeu. Ele roubou o momento de triunfo da equipe. Então, é justo que ele não tenha ganhado a Copa do Mundo. Ele deveria ter ficado no banco, em vez de impor suas vontades.

  8. Este é o pior texto em termos de estilo que já li, incluindo blogs de usuários. Está escrito de forma simplesmente horrível.

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