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4 eliminações mais vergonhosas do Brasil na Copa do Mundo – Copa do Mundo 2026

A seleção brasileira nem chegou às quartas de final da Copa do Mundo – nem Vinícius, nem Neymar, nem mesmo Carlo Ancelotti conseguiram ajudar. A Noruega avançou (2:1). No primeiro tempo, o Brasil perdeu um pênalti, e no segundo, sofreu dois gols de Erling Haaland, enquanto o gol de pênalti de Neymar foi apenas um pequeno consolo.

Para a grande cultura brasileira, este é um fracasso retumbante: a equipe não chegou às quartas de final pela primeira vez desde 1990. Nos oito torneios entre esses anos, houve dois títulos (1994 e 2002), uma final (1998), um quarto lugar (2014) e quatro quartas de final (2006, 2010, 2018, 2022).

Isso se junta à coleção das derrotas mais dolorosas do Brasil em Copas do Mundo.

1966: os bicampeões que se tornaram viajantes e não passaram da fase de grupos

O Brasil foi para a Copa do Mundo na Inglaterra como dominador, tendo conquistado dois títulos consecutivos (em 1958 e 1962). A equipe estelar e brilhante era cobrada por um terceiro título seguido, e se isso fosse alcançado na Inglaterra, seria uma grandeza inigualável.

Mas nada saiu como o planejado. Mais de 40 jogadores foram convocados para os treinamentos, e quanto mais o tempo passava, mais parecia uma brincadeira que saiu do controle. A federação nomeou Vicente Feola como técnico, que havia ficado à sombra após o primeiro título brasileiro na história (1958). O elenco foi recheado de veteranos, alguns claramente fora de forma. As estrelas viajaram em turnês por cidades brasileiras, os treinamentos duraram três meses, e ninguém realmente sabia qual seria o elenco final (22 jogadores) e a formação de jogo. A definição só veio duas semanas antes do início: foram convocados Jalma Santos, Gylmar, Bellini e Garrincha – todos com mais de 30 anos.

“Não tínhamos uma equipe formada. Todos os jogadores que conquistaram os dois títulos mundiais estavam em declínio, exceto Pelé”, relembrou Tostão.

A Brasil começou mais ou menos – 2:0 contra a Bulgária, com Pelé e Garrincha jogando juntos pela última vez. Depois, veio a dor e o pesadelo. Pelé perdeu a segunda rodada devido a uma lesão no joelho, e a Brasil parecia desorientada – 1:3 para a Hungria e um completo vazio. Na terceira rodada, era preciso vencer uma forte seleção de Portugal – e para mobilizar as forças, Feola fez nove mudanças no time titular (incluindo o retorno de Pelé). A terapia de choque não surtiu efeito – novamente um vexatório 1:3, terceiro lugar no grupo e o retorno para casa com vergonha.

“Aquela Copa do Mundo foi o maior desafio da minha carreira”, relembrou Pelé. “Perdi parte da Copa de 1962 por lesão, na Inglaterra, novamente não pude jogar como gostaria.

Depois daquela Copa, decidi nunca mais jogar pela seleção. A única razão pela qual joguei em 1970 foi que estava em ótima forma no Santos. Mas as cicatrizes de 66 ainda permaneciam.”

1990: a jogada de Maradona que tirou as esperanças do Brasil

A última eliminação precoce do Brasil antes de 2026. Nas oitavas de final, o Brasil perdeu para a Argentina – 0:1. Tudo foi decidido pelo gol de Claudio Caniggia aos 81 minutos, após uma jogada genial de Maradona, que driblou metade do time brasileiro do meio-campo.

“Todo jogador daquele time ainda se lembra da Copa do Mundo de 1990. Tínhamos o melhor elenco do torneio – em todas as posições”, afirmou o goleiro Claudio Taffarel. “A Argentina teve apenas uma chance, que Maradona criou com uma arrancada. E eles marcaram. Tivemos 20 chances e desperdiçamos todas.”

Bebeto, Careca, Romário – o brilho avassalador do ataque brasileiro só aumentava a decepção com essa derrota. “Realmente tínhamos o melhor elenco naquela Copa”, diz o capitão da seleção brasileira, Ricardo Gomes. “Mas não conseguimos formar uma equipe forte. Alguns eventos colocaram o senso de união em segundo plano.”

Os jogadores da seleção brasileira tinham um conflito com a federação por causa de bônus. A situação chegou até a manifestações públicas: em uma foto oficial, os jogadores cobriram com as mãos o logotipo do patrocinador da CBF. “Infelizmente, em vez de jogar em equipe, cada um passou a jogar por si mesmo”, resumiu Taffarel.

Horror.

2014: o 1:7 para a Alemanha e o luto nacional

Neymar marcou quatro gols ainda na fase de grupos, depois o pênalti decisivo na disputa contra o Chile nas oitavas de final (Hulk e Willian, aliás, desperdiçaram). A Colômbia foi superada no tempo normal, e depois veio o vexame em casa.

Caso você tenha esquecido, a Alemanha já havia marcado cinco gols aos 29 minutos. E quem se importava depois disso que perderam para o campeão? O mundo todo viu o avô brasileiro abraçando a inatingível taça do mundo.

2026: o sofrimento com Haaland

As esperanças na magia de Carlo Ancelotti não se concretizaram. Parecia que os brasileiros estavam dispostos a sacrificar o estilo e o brilho do ataque em prol de resultados – daí os históricos 34% de posse de bola contra a Noruega (algo nunca visto, o recorde anterior era de 40% contra a Holanda em 1998).

Mas, no final, não houve estilo, nem boas lembranças, nem resultado. Uma eliminação vexatória como favoritos absolutos daquela parte da chave.

Todas as eliminações após a Copa de 2002: o quadro da dor

E, em geral, no século XXI, o Brasil não impressiona – claro, pelos seus próprios padrões. Após o título de 2002, a equipe perdeu o rumo.

Copa do Mundo 2006: eliminado por Henry

Para os campeões em título, foi especialmente doloroso devido ao caminho tranquilo e classe até às quartas de final. Três vitórias na fase de grupos (incluindo um 4:1 contra o Japão, com dois gols de Ronaldo), 3:0 contra Gana no início das eliminatórias.

Nas quartas de final, tudo foi decidido por um único gol de Thierry Henry – a França fez os brasileiros sofrerem pela segunda vez em oito anos.

Copa do Mundo 2010: punido por Sneijder

Esquema de eliminação semelhante: primeiro lugar no grupo com classificação antecipada para as eliminatórias (empataram com os portugueses quando tudo já estava decidido), 3:0 nas oitavas de final contra o Chile.

As quartas de final também começaram bem: Robinho marcou já aos nove minutos, 1:0 após o primeiro tempo. Mas os brasileiros falharam no início do segundo tempo: sofreram dois gols de Wesley Sneijder em pouco mais de vinte minutos. Não conseguiram se recuperar. Pelo segundo torneio consecutivo, tropeçaram em um futuro finalista.

Copa do Mundo 2014: pesadelo em casa

1:7 nas semifinais contra a Alemanha. Inesquecível.

Copa do Mundo 2018: parada pela Bélgica em ascensão

Duas vitórias convincentes (2:0 contra Costa Rica e Sérvia) após o empate inicial com a Suíça sugeriam que o Brasil estava ganhando ritmo. Também superaram o México na primeira rodada das eliminatórias, graças aos gols de Neymar e Roberto Firmino no segundo tempo (2:0).

Tudo acabou em Kazan. A Bélgica, empolgada com a recuperação milagrosa contra o Japão (0:2 aos 69 minutos, 3:2 aos 90+4), pressionou o Brasil. 2:0 em menos de meia hora de jogo.

Os brasileiros só conseguiram marcar um gol. 1:2 – e mais uma vez de volta para casa.

Copa do Mundo 2022: deixaram escapar contra a Croácia

Novamente uma fase de grupos confiável: vitórias sem sofrer gols contra Sérvia (2:0) e Suíça (1:0), na última rodada já nada estava em jogo (derrota para Camarões por 0:1).

No início das eliminatórias, nem notaram a Coreia do Sul, marcando quatro gols em pouco mais de meia hora (resultado final – 4:1). Parecia extremamente promissor. Vinícius e Neymar marcaram, e Richarlison até fez mais de um, incluindo aquele chute de bicicleta.

No entanto, nas quartas de final contra a Croácia, o jogo foi para a prorrogação sem gols, onde graças a Neymar assumiram a liderança – mas a três minutos do fim, deixaram a vitória escapar (1:1). E perderam nos pênaltis, com erros de Rodrygo e Marquinhos.

Copa do Mundo 2026: o último baile de Neymar, lágrimas e um novo ciclo de dor

Mais uma vez, a Copa do Mundo será lembrada pelas lágrimas de Neymar após a eliminação.

Vimos uma Brasil que apostou no contra-ataque, entregou a posse de bola ao adversário, mas não conseguiu concluir nenhuma jogada rápida. Todos os sacrifícios foram em vão.

Matias Pereira

João Silva é um renomado jornalista esportivo português, formado pela… More »

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10 Comentários

  1. Autor, a vitória sobre a Costa Rica na Copa do Mundo de 2018 de maneira nenhuma indicava que o Brasil estava acelerando. Pelo jogo, deveria ter sido 0:0, os brasileiros marcaram os dois gols após o 90º minuto. Keylor Navas e companhia quase resistiram.

  2. Para mim, este é o elenco mais fraco desde 2002 (quando comecei a assistir futebol). Não digo que Ancelotti fez o máximo, mas com esse elenco, não sei no que podemos contar, afinal, o jogo deles já nas eliminatórias foi terrível. Eles perderam para muitos times, e o mais importante, não eram times de ponta. Não quero dizer que é culpa do técnico, mas, na minha opinião, ele não trouxe nada de forte para o Brasil.
    Quanto ao jogo contra a Noruega, fiquei muito feliz pelos noruegueses, embora, em termos de chances, acho que o Brasil, se tivesse aproveitado, teria vencido.
    Ødegaard preocupa, ele segura muito a bola, acho que na próxima rodada isso vai criar problemas com essa atitude.

    1. “mas com esse elenco, não sei no que podemos contar” – mas com qual elenco? Eles tinham seis jogadores, neste jogo, que poderiam ter começado desde o início, mas estavam simplesmente lesionados…

    2. Não entendi muito bem, mas vou explicar o que quero dizer.
      Simplesmente direi que não aceito, mas falo o que vejo.
      Laterais muito fracos (não digo que jogaram mal, especialmente Douglas Santos). Os volantes alternam não apenas o jogo, mas também os tempos de bom ou confuso desempenho. O meio-campo no ataque, parece que não existe. Assim como não existe um centroavante. No Brasil, só sobraram atacantes de lado, dos quais alguns não foram convocados, e outros se machucaram durante o torneio.
      Neste time, embora haja alguns nomes mais brilhantes, melhor que a Noruega, mas Ancelotti não conseguiu montar o jogo.

  3. Escrevi em todos os lugares que estas são as Alemanhas e Brasil mais fracos que já vi em Copas do Mundo, desde 1998 (quando comecei a assistir).
    Não há nada de surpreendente na derrota.
    Mais surpreendente é que o Brasil, por inércia, ainda em 2018 e 2022, era considerado o favorito número 1, embora já naquela época a seleção não impressionasse.
    Acho que há uma crise de gerações na seleção, assim como na Itália e na Alemanha.

    1. A Alemanha tem o elenco mais fraco, mas não podia condenar o jogo. Eles tentaram constantemente criar chances de gol, não havia troca de passes para perder tempo ou algo assim. Mesmo essa Alemanha jogou no ataque desde o início. E tenho certeza de que, se enfrentassem a Espanha, a França ou a Argentina, não ficariam o jogo todo esperando por contra-ataques, mas tentariam tomar a iniciativa.

  4. Para ser justo, em termos de nomes, esta é a seleção brasileira mais fraca de todas, então não é surpreendente que este elenco tenha sido eliminado ainda mais cedo, a geração brasileira está em apuros

  5. Esta é a seleção brasileira mais fraca que já vi desde 1986. Brasileiros que não sabem dominar a bola e dar passes no meio-campo – é um absurdo. Centroavantes que não sabem driblar um contra um – é uma miséria. Talvez apenas Vinícius pudesse entrar no elenco dos tempos áureos do Brasil, e mesmo assim como reserva.

    1. Concordo plenamente. É engraçado ler comentários dizendo que é um elenco normal de jogadores de ligas de topo. Esses jogadores nem seriam considerados para listas estendidas. O que dizer, se Élber (o melhor atacante da Bayern de sua época, sem dúvida) nunca jogou pela seleção em grandes torneios e tem apenas 15 jogos no total!!! Alguém pode imaginar hoje que o principal centroavante da Bayern não entraria no elenco da seleção brasileira?

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